Os trinta <em>centrões</em>
Para que o título não conduza a memória, malgrado a distinção numérica, para as páginas dos contos de Ali Babá, com as malévolas interpretações que do completar do título decorreriam, esclareça-se desde já que os trinta supracitados, a que se dá a honra de encimar o texto, são tão só, e apenas, os subscritores de um apelo ao consenso dirigido à nação e ao parlamento em torno desse imenso desígnio conhecido por equilíbrio das contas públicas. Gente simples pois, impregnada das melhores intenções, preocupados com o bem do país, desprendidos observadores da coisa pública, isentos de qualquer responsabilidade passada pelas políticas nacionais
Apenas, e por mero nexo de casualidade, individual expressão das siamesas receitas neoliberais que as não menos siamesas orientações económicas dos partidos que frequentam patenteiam.
Daí que este apelo à eleição da consolidação das finanças públicas a objectivo nacional, este apelo ao consenso partidário em matéria de contas públicas suscite a legitima desconfiança que em si encerra quanto aos objectivos, pressupostos e orientações desejadas. Conhecida que é a conversa, e as correspondentes consequências, sobre o caracter despesista do Estado, o excesso da despesa com os trabalhadores da administração pública, os riscos inflacionistas dos aumentos salariais, a contenção do investimento público, a redução do défice, a insuficiência da carga fiscal (sempre a pensar nos rendimentos do trabalho e não na actividade especulativa), razões não faltam para desconfiar da receita e temer dos resultados. Temor que se não aligeira perante as notícias de que da incansável tarefa em busca de consenso em matéria de finanças públicas que traz reunidos o líder parlamentar do PS e a ministra das Finanças, e dos últimos encontros entre as partes, se assinale terem contribuído sobretudo «para desfazer uma série de equívocos».
Perdoe-se pois este teimoso cepticismo que nos impede de abraçar tão comovente apelo ao consenso por tão distintos e assíduos comensais da mesa farta que o Orçamento constitui. Aguarde-se assim, por razão de prudência, para melhor ver em que dá este original apelo dirigido ao «centro», a partir dele, por gente deste, réplica de iniciativas já vistas em momentos anteriores com o objectivo de garantir o tranquilo prosseguimento das orientações económicas e financeiras comuns aos interesses dominantes.
Apenas, e por mero nexo de casualidade, individual expressão das siamesas receitas neoliberais que as não menos siamesas orientações económicas dos partidos que frequentam patenteiam.
Daí que este apelo à eleição da consolidação das finanças públicas a objectivo nacional, este apelo ao consenso partidário em matéria de contas públicas suscite a legitima desconfiança que em si encerra quanto aos objectivos, pressupostos e orientações desejadas. Conhecida que é a conversa, e as correspondentes consequências, sobre o caracter despesista do Estado, o excesso da despesa com os trabalhadores da administração pública, os riscos inflacionistas dos aumentos salariais, a contenção do investimento público, a redução do défice, a insuficiência da carga fiscal (sempre a pensar nos rendimentos do trabalho e não na actividade especulativa), razões não faltam para desconfiar da receita e temer dos resultados. Temor que se não aligeira perante as notícias de que da incansável tarefa em busca de consenso em matéria de finanças públicas que traz reunidos o líder parlamentar do PS e a ministra das Finanças, e dos últimos encontros entre as partes, se assinale terem contribuído sobretudo «para desfazer uma série de equívocos».
Perdoe-se pois este teimoso cepticismo que nos impede de abraçar tão comovente apelo ao consenso por tão distintos e assíduos comensais da mesa farta que o Orçamento constitui. Aguarde-se assim, por razão de prudência, para melhor ver em que dá este original apelo dirigido ao «centro», a partir dele, por gente deste, réplica de iniciativas já vistas em momentos anteriores com o objectivo de garantir o tranquilo prosseguimento das orientações económicas e financeiras comuns aos interesses dominantes.